Comprar é prazeroso – disso ninguém discorda. O hábito exagerado de consumo, porém, pode se tornar um transtorno compulsivo.

Muitas são as pessoas que gostam de passar o tempo fazendo compras. O ato de adquirir um bem material está diretamente relacionado ao sistema de recompensas do cérebro, e libera substâncias responsáveis pelo prazer. No entanto, em alguns casos o consumo passa dos limites e deixa de ser considerado saudável, tornando-se um ato compulsivo.

Para a ciência, compulsão é o vício de determinada ação, em que existe uma pressão interna que faz o compulsivo repetir o ato diversas vezes para proporcionar uma satisfação temporária. Como o efeito possui curta duração, logo surge o sentimento de culpa – e o ciclo começa novamente. Com o consumismo extremamente estimulado na sociedade capitalista atual, é bastante comum que este comportamento esteja relacionado à aquisição de bens materiais, recebendo então o nome de Oniomania.

Sintomas da compulsão por compras

O livro “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, também adaptado para os cinemas, ilustra bem a situação de alguém viciado em compras: possui mais itens do que precisa, tem dificuldade para armazenar tudo e acaba prejudicando outras áreas de sua vida por conta do descontrole financeiro. Estes são, em geral, os sinais observados em casos reais – mais frequentes em mulheres.

Infelizmente, porém, nem tudo é tão facilmente resolvido como na ficção, e os problemas da compulsão podem se agravar, causando até mesmo Depressão por conta da frustração e das dificuldades.

Compulsão por comprar é doença

Todos os seres humanos gostam de fazer comprar, porém algumas pessoas excedem as compras necessárias, sendo compulsivos. Saiba mais:

Quem não gosta de fazer algumas compras? Mas algumas pessoas acabam passando do limite, em maioria mulheres, mas os homens também caem em tentação. A compulsão por compras causa sérios problemas, principalmente financeiros. O ato de comprar gera um prazer instantâneo seguido por culpa assim que o consumidor sai da loja.

É um transtorno causado por impulso que normalmente está vinculado com outros problemas como a depressão e a ansiedade.

Compulsão por comprar roupas

O ato de comprar faz parte da natureza humana, porém algumas pessoas não vêm um limite das compras necessárias e das compras por impulso. Quando o comprador está muito próximo a fatores negativos, seja no trabalho, relacionamentos ou com a autoestima baixa, ele cede ao desejo e fica mais suscetível a aliviar os problemas nas compras.

As mulheres são as que mais cometem compras por impulso, geralmente as roupas são objetos de desejo e consumo, porém quase sempre são peças que não serão usadas. Alguns casos apontam que uma compradora compulsiva tem a necessidade de “ter” ou invés de “ser”, camuflando nas compras esse desejo de possuir algo para esconder algum tipo de fragilidade humana de sua vida pessoal.

Assim, quando vê uma blusa, saia, vestido ou até uma calça em alguma vitrine ela logo sente o desejo de possuir aquela peça em especial, desejo que só será satisfeito no momento em que a compra for concluída.

Compulsão por comprar sapatos

Toda mulher tem uma queda por sapatos novos, algumas compram um par aqui e outro ali. Mas outras sempre querem mais, já houve casos de mulheres com mais de 130 pares de sapatos por serem compradoras compulsivas.

Muitas dessas mulheres compram por estarem tristes, procuram o prazer da compra para se sentirem felizes e dar um fim a ansiedade. Mas logo após vem o sentimento de culpa e tristeza, o que acaba se tornando um ciclo onde ela sempre precisa de um par de sapatos novos que provavelmente ela nunca irá usar.

Como o ato de comprar gera prazer, ele vicia. Os cartões de crédito e crediários são grandes problemas, pois com eles é mais fácil de efetuar compra, porém também são os maiores causadores dos problemas financeiros que cada vez mais vira uma bola de neve e muitas vezes afeta os relacionamentos familiares dos compradores compulsivos.

Compulsão por comprar objetos sem necessidades

Quem compra por impulso constantemente compra por prazer. Quando visitam shoppings para comprar apenas um objeto, acabam comprando muitos outros e saem de lá cheios de sacolas, pois o ambiente com muitas lojas diversificadas juntas favorecem e aumentam a vontade de consumir.

Muitas pessoas não conseguem sair de uma loja sem ao menos comprar um objeto para si, mesmo sabendo que não tem utilidade nenhuma. Em alguns casos acabam levando presentes para outras pessoas, para que quando questionado sobre a compra, possa ter uma desculpa pelo qual gastou.

Como o problema pode estar interligado com outros fatores negativos que a pessoa vem sofrendo, o ideal é procurar ajuda psiquiátrica. Em muitos casos é diagnosticado outros problemas como a depressão e um dos tratamentos é feito com antidepressivos. As terapias e grupos de apoio também são grandes aliados para que o problema chegue ao fim.

Tratamento da compulsão por compras

Se os sintomas de Oniomania forem observados, é fundamental procurar a ajuda de um profissional. A terapia auxilia a pessoa compulsiva a compreender melhor seus sentimentos e as razões que causam esta necessidade de compensação. Frequentemente, a maneira de criação ou a ocorrência de alguns eventos impactantes podem colaborar para seu surgimento.

A principal forma de superar a compulsão, no entanto, é a partir de questionamentos e escolhas cotidianas. Alguns cuidados válidos são evitar andar com cartões de crédito (nem possuí-los, se possível), traçar mentalmente as rotas antes de sair de casa, a fim de desviar de lojas com vitrines tentadoras, e, sempre antes de comprar alguma coisa, perguntar a si mesmo “Eu realmente preciso disso? Além do dinheiro, o que mais vai me custar? Espaço? Tranquilidade?”.

É essencial, também, procurar sentir prazer através de coisas simples da vida, como eventos, a companhia de pessoas queridas e outros bens imateriais. Não se trata de deixar de comprar tudo, mas manter o equilíbrio (um mimo de vez em quando é bom, mas as necessidades devem ser priorizadas). Afinal, as promoções e lojas são sedutoras, porém nem sempre amigáveis.