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Segurança na transferência de fluidos industriais: boas práticas para reduzir riscos

A segurança na transferência de fluidos industriais é um tema crucial que merece nossa atenção. Afinal, um descuido pode gerar desde pequenos vazamentos até acidentes graves, com danos materiais, ambientais e, o mais importante, riscos à vida das pessoas. 

Para entender melhor como podemos garantir mais segurança nas operações do dia a dia, consultamos a Inaflex, especialista em mangueiras industriais, sobre os cuidados que reduzem riscos na transferência de fluidos e no manuseio de equipamentos. 

O objetivo é ajudar você a identificar os perigos e aplicar medidas preventivas eficazes.

Segurança na transferência de fluidos industriais começa antes da primeira conexão

Garantir a segurança em qualquer processo industrial exige planejamento e atenção aos detalhes, muito antes de ligar a primeira máquina. Quando falamos da movimentação de fluidos, isso significa estar à frente de possíveis problemas, assegurando que todo o sistema está preparado para operar sem falhas.

O que você precisa garantir em 5 minutos

Antes mesmo de iniciar qualquer transferência, alguns pontos básicos devem ser checados. Esses cuidados rápidos, que podem levar menos de cinco minutos, são fundamentais para evitar dores de cabeça maiores.

  • Integridade do conjunto: Verifique se as mangueiras, conexões e engates estão em perfeitas condições, sem sinais visíveis de desgaste ou dano. Uma inspeção rápida pode flagrar rachaduras, cortes ou amassados.
  • Compatibilidade do fluido: Tenha certeza de que a mangueira é adequada para o tipo de fluido que será transportado. Fluidos diferentes reagem de maneiras distintas com os materiais, e a escolha errada pode causar degradação rápida.
  • Controle de energia residual: Se o sistema já operou, certifique-se de que não há pressão ou energia armazenada. A liberação de energia residual é um passo crítico antes de qualquer intervenção.
  • Área protegida: Garanta que a área de operação está livre de obstáculos, pessoas não autorizadas e que há contenção adequada para o caso de um vazamento inesperado.

Onde os acidentes costumam nascer na transferência de fluidos

Por mais que a gente se esforce, os acidentes acontecem. E, na maioria das vezes, eles não são um “azar”, mas o resultado de falhas em uma cadeia de eventos que poderiam ter sido evitados. Conhecer esses pontos fracos ajuda a focar a prevenção onde ela realmente faz a diferença.

Ruptura, vazamento e desconexão: os gatilhos mais comuns

Os incidentes mais frequentes envolvem falhas nas mangueiras ou nas conexões. Uma mangueira que se rompe sob pressão, por exemplo, pode chicotear violentamente (o chamado hose whip), transformando-se em um perigo para quem está por perto. 

Vazamentos, mesmo pequenos, podem contaminar o ambiente, causar incêndios ou exposição a substâncias perigosas. Desconexões acidentais, por sua vez, liberam o fluido de forma abrupta, criando um cenário de alto risco. 

Esses eventos são muitas vezes causados por falhas de material, erro humano ou uso inadequado do equipamento, que deveriam ser evitados com a observação dos 4 pontos listados acima.

Pressão residual e partidas inesperadas durante manutenção

A energia residual é uma das grandes vilãs. Mesmo após um sistema ser desligado, pode haver pressão hidráulica, ar comprimido ou outras formas de energia armazenada. Iniciar uma manutenção sem liberar completamente essa energia é pedir para ter um problema. 

A prática de bloqueio e etiquetagem (LOTO) é essencial aqui, assegurando que o equipamento não pode ser ligado inesperadamente e que todas as fontes de energia perigosas foram neutralizadas antes de qualquer trabalho.

Lesões críticas: injeção de fluido e efeitos de alta pressão

Um risco particularmente grave e, por vezes, subestimado, é a lesão por injeção de fluido de alta pressão. Fluidos hidráulicos, mesmo em um pequeno furo que parece inofensivo, podem penetrar a pele humana. O que parece um arranhão pode ser uma perfuração profunda que injeta a substância tóxica ou pressurizada nos tecidos. 

Essas lesões podem não doer imediatamente, mas causam danos graves e exigem atendimento médico de urgência. Ignorar um pequeno orifício na mangueira pode ter consequências devastadoras.

Escolha e especificação: o que muda quando você trata como item de segurança

A escolha da mangueira certa não é apenas uma questão de funcionalidade, mas de segurança primordial. Tratar a seleção e especificação como um item crítico de segurança significa ir além do “funciona” e focar no “funciona com segurança e confiabilidade” em todas as condições de operação.

O que conferir na mangueira e nas conexões

Cada detalhe importa na hora de escolher os componentes. Uma especificação inadequada pode ser a origem de futuros acidentes.

  • Pressão e picos de pressão: A mangueira precisa suportar não apenas a pressão de trabalho contínua, mas também picos que podem acontecer durante a operação. Uma margem de segurança é fundamental.
  • Temperatura: Verifique a faixa de temperatura do fluido e do ambiente. Temperaturas extremas podem comprometer a integridade dos materiais, tornando-os mais frágeis ou maleáveis demais.
  • Compatibilidade química: O material da mangueira e das conexões deve ser compatível com o fluido que será transferido. Incompatibilidades geram corrosão, degradação ou contaminação.
  • Abrasão e raio de curvatura: Mangueiras expostas a ambientes abrasivos precisam de proteção extra. O raio de curvatura mínimo também é importante; dobrar demais uma mangueira pode danificá-la internamente e reduzir sua vida útil.
  • Propriedades elétricas (quando aplicável): Em ambientes com risco de explosão ou para fluidos específicos, as propriedades elétricas da mangueira (como condutividade ou isolamento) são críticas.

Quando faz sentido pedir evidências e documentação

A confiança é boa, mas a evidência é melhor. Para garantir que as mangueiras para indústrias atendem aos padrões de segurança, é importante solicitar e verificar a documentação. Isso inclui certificados de teste, que comprovam que o produto foi submetido a ensaios de desempenho, e a rastreabilidade do lote ou número de série, que permite identificar a origem e o histórico do componente.

A Inaflex, por exemplo, entrega conjuntos montados com terminais acompanhados de certificados de teste (hidrostático e elétrico), garantindo a resistência e segurança dos produtos. Essa documentação é uma prova da conformidade e da qualidade, dando tranquilidade ao usuário.

Instalação e manuseio: pequenos detalhes que evitam falha grande

Depois de escolher a mangueira certa, a forma como ela é instalada e manuseada no dia a dia é o próximo ponto chave para a segurança. A melhor mangueira do mundo pode falhar se for mal instalada ou usada incorretamente. Pequenos deslizes podem ter consequências enormes.

O que evitar na rota e no posicionamento

A rota da mangueira deve ser planejada com cuidado. Evite que ela passe por locais onde possa ser pisoteada, arrastada, cortada ou exposta a impacto. Dobras excessivas, torções ou tração também são inimigos da durabilidade e segurança. É importante garantir que a mangueira tenha espaço suficiente para se mover com a pressão ou temperatura, sem atrito com superfícies ou outras mangueiras. 

A NR-12 do Brasil, por exemplo, orienta que componentes pressurizados devem ser localizados ou protegidos para que ruptura ou vazamento não causem acidentes, e que medidas adicionais podem ser necessárias em caso de risco de impacto ou agentes agressivos.

Proteções e isolamento do entorno quando há risco

Em áreas onde há risco de chicoteamento em caso de ruptura, ou onde o vazamento de um fluido pode atingir operadores ou outros equipamentos, é fundamental usar proteções adicionais. Isso pode incluir barreiras físicas, amarrações que contenham a mangueira em caso de falha, ou bandejas de contenção para coletar vazamentos. 

Um ambiente de trabalho bem planejado prevê esses cenários e oferece as salvaguardas necessárias para minimizar os danos.

Segurança na transferência de fluidos industriais durante desconexão e manutenção

A desconexão e a manutenção são momentos críticos que exigem procedimentos rigorosos. Muitos acidentes acontecem quando os sistemas são abertos ou trabalhados, especialmente por causa da energia armazenada ou da pressa em reiniciar as operações.

Sequência segura de desligamento e alívio de energia

Antes de desconectar qualquer mangueira ou iniciar uma manutenção, uma sequência segura deve ser seguida à risca. Isso inclui:

  • Desligar o sistema: Certifique-se de que o fluxo do fluido foi interrompido e que a bomba ou a fonte de pressão está desativada.
  • Aliviar a pressão: Libere completamente a pressão residual do sistema. Nunca confie apenas em medidores; siga procedimentos de despressurização.
  • Bloquear e etiquetar (LOTO): Aplique dispositivos de bloqueio e etiquetas para garantir que o equipamento não pode ser religado acidentalmente.
  • Verificar energia zero: Confirme visualmente e com instrumentos que toda a energia armazenada foi dissipada antes de qualquer contato manual.

Sinais de alerta que pedem parada imediata

Os operadores precisam estar treinados para reconhecer e agir diante de sinais de alerta. Qualquer um desses indícios deve levar a uma parada imediata da operação para investigação:

  • Vazamentos, mesmo que pequenos, em mangueiras ou conexões.
  • Inchaços, bolhas ou protuberâncias na mangueira.
  • Rachaduras, cortes ou áreas amassadas.
  • Sons incomuns (asbravos, sibilos, estalos).
  • Cheiro estranho (indica vazamento químico).
  • Queda de pressão inexplicável.
  • Conexões soltas ou com movimento excessivo.

Inspeção e testes: como criar uma rotina que caiba no dia a dia

A inspeção regular e os testes periódicos são a espinha dorsal de um programa de segurança eficaz. Eles ajudam a identificar problemas antes que se transformem em acidentes, garantindo a longevidade e a confiabilidade dos equipamentos.

Inspeção visual: o que observar sempre que for usar

Uma inspeção visual rápida, realizada pelos próprios operadores antes de cada uso, é um excelente primeiro filtro. Procure por:

  • Danos externos (cortes, abrasão, amassados, esmagamentos).
  • Corrosão nas conexões.
  • Deterioração da cobertura (rachaduras, descoloração).
  • Vazamentos em qualquer ponto do conjunto.
  • Conexões soltas ou danificadas.
  • Raios de curvatura muito apertados ou mangueira torcida.

Teste hidrostático e outros ensaios: quando entram no jogo

Enquanto a inspeção visual é um check-up diário, os testes mais robustos são as análises laboratoriais. O teste hidrostático, por exemplo, é crucial para avaliar o desempenho e identificar vazamentos ou falhas internas que não são visíveis. Ele submete a mangueira a uma pressão controlada para verificar sua integridade estrutural. Outros ensaios, como o elétrico ou de alongamento, podem ser necessários dependendo da aplicação e do fluido. Esses testes são essenciais para manter a vida útil e a segurança do equipamento em dia.

Rastreabilidade: registro mínimo que ajuda a prever falhas

Manter um registro detalhado de cada mangueira e conjunto – quando foi instalada, qual fluido transportou, quando foi inspecionada e testada – é fundamental. Essa rastreabilidade permite:

  • Identificar padrões de falha.
  • Prever a vida útil.
  • Planejar a substituição antes que a falha ocorra.
  • Atender a requisitos regulatórios.

A cada teste, deve-se atualizar o histórico do equipamento, garantindo que a informação está sempre à mão.

A Inaflex, por ser especialista na área, oferece serviços técnicos que podem ser grandes aliados para manter a segurança em dia. Eles incluem instalação, testes, manutenção preventiva e treinamentos para as equipes.

 Com o serviço Inaflex Express, é possível realizar testes nas instalações do cliente e receber um certificado, que comprova a conformidade do equipamento. 

Essa abordagem com apoio especializado garante que inspeções visuais, testes hidrostáticos, elétricos e de alongamento sejam feitos por profissionais capacitados, validando a segurança dos componentes.

Quando o fluido é inflamável ou químico agressivo, o padrão de cuidado sobe

A transferência de fluidos inflamáveis ou químicos agressivos exige um nível de cuidado ainda maior. As consequências de um vazamento ou falha nessas condições são amplificadas, podendo causar incêndios, explosões, intoxicações ou danos ambientais severos.

Regras e boas práticas de referência no Brasil

O Brasil possui normas regulamentadoras que balizam a segurança nessas operações. A NR-20, por exemplo, estabelece requisitos para instalações e atividades que envolvem a extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e combustíveis, cobrindo aspectos de segurança, saúde e meio ambiente. 

Para produtos químicos, a NR-26 e o GHS (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos) ditam a classificação e a comunicação de perigos. A ABNT NBR 14725 também é um ponto de referência importante, pois aborda a Ficha de Dados de Segurança (FDS/FISPQ), um documento essencial que informa sobre os perigos, as medidas de proteção e as ações de emergência relacionadas a um produto químico. Você pode consultar a íntegra da NR-12 para mais detalhes sobre proteção de maquinário, que também aborda mangueiras, no site do governo.

Contenção e resposta a vazamentos

Um plano de resposta a vazamentos é obrigatório para fluidos perigosos. Isso inclui ter materiais de contenção (absorventes, barreiras), equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados e treinamento para a equipe de emergência. 

A FDS/FISPQ do produto químico é um guia valioso nessas situações, detalhando os procedimentos de primeiros socorros, combate a incêndios e derramamento. A prevenção é a melhor estratégia, mas estar preparado para o pior é um dever.

Perguntas que aparecem no chão de fábrica

No dia a dia da indústria, surgem muitas dúvidas práticas sobre a segurança na transferência de fluidos industriais. Responder a elas de forma clara ajuda a desmistificar processos e fortalecer a cultura de segurança.

“Com que frequência devo inspecionar as mangueiras?”

A frequência depende do fluido, da pressão, da temperatura e da intensidade de uso. Mangueiras que trabalham em condições extremas ou com fluidos agressivos precisam de inspeções mais frequentes, talvez diárias ou antes de cada uso. Para mangueiras de uso geral, uma inspeção visual semanal ou mensal pode ser suficiente, complementada por inspeções periódicas detalhadas realizadas por técnicos especializados.

“Quando preciso de teste hidrostático?”

O teste hidrostático deve ser feito periodicamente, conforme as recomendações do fabricante ou as normas aplicáveis à sua indústria. Muitos conjuntos exigem teste anual. Também é indicado após qualquer reparo significativo, antes de colocar uma mangueira nova em serviço, ou se houver qualquer dúvida sobre sua integridade. Empresas como a Inaflex podem auxiliar com esse serviço especializado, emitindo os certificados necessários.

“Como saber se a mangueira é compatível com o fluido?”

A compatibilidade é definida pelo fabricante da mangueira e pelo fornecedor do fluido. Consulte sempre as especificações técnicas da mangueira (datasheet) e a FDS/FISPQ do fluido. Esses documentos informarão quais materiais são adequados e quais devem ser evitados. Nunca use uma mangueira com um fluido para o qual ela não foi projetada.

“O que fazer se alguém suspeitar de injeção de fluido?”

Aja imediatamente! Mesmo uma pequena lesão aparente exige atendimento médico de emergência urgente. O fluido injetado pode causar danos internos graves e necrose tecidual. Informe aos médicos que se trata de uma lesão por injeção de fluido de alta pressão e, se possível, forneça a FDS/FISPQ do fluido envolvido.

“Segurança na transferência de fluidos industriais: quais erros mais custam caro?”

Os erros que mais custam caro são:

  • Subestimar a importância da especificação correta: Usar uma mangueira “quase igual” para economizar.
  • Ignorar pequenos vazamentos ou danos: Adiar a troca de um componente danificado.
  • Burlar procedimentos de LOTO: Intervir em equipamentos pressurizados sem desenergizar.
  • Falta de treinamento adequado: Operadores que não reconhecem os riscos ou os sinais de falha.
  • Ausência de um programa de inspeção e manutenção preventiva: Deixar a manutenção para quando a mangueira falha, em vez de prevenir a falha.

O que revisar antes do próximo turno

A segurança é um trabalho contínuo, e cada turno é uma nova oportunidade para reforçar boas práticas. Pequenos hábitos de revisão podem fazer uma grande diferença.

Antes de iniciar um novo ciclo de operação ou antes que a equipe passe o bastão, dedique alguns minutos para revisar os pontos-chave. Verifique a integridade visual das mangueiras e conexões em uso, confirme que as áreas de trabalho estão organizadas e que não há vazamentos visíveis. 

Reforce a importância do alívio de pressão antes de qualquer desconexão e incentive a comunicação de qualquer anormalidade. A prevenção é sempre a melhor ferramenta.

Se houver dúvida técnica ou necessidade de uma avaliação mais aprofundada, vale conversar com a Inaflex, que oferece suporte especializado para garantir a segurança dos seus processos.

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